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Archive for outubro \24\UTC 2008

Conversar por horas com gente bem interessante. A foto foi feita pelo meu fotógrafo amado Daniel Ramalho, com quem tenho a honra de trabalhar.  Encontrei Paulo José em sua casa, no Rio, na sexta-feira passada.  A entrevista só aumentou minha admiração pelo ator que ele é.  O rosto, marcado por centenas de personagens, muitos deles inesquecíveis, ainda se mostra virgem, uma página em branco, pronto para receber tantas outras feições que novos papéis lhe darão .

– Não tenho um caráter específico. O ator não tem caráter, não pode querer ser maior do que um papel – define. – Já persegui muitos papéis, como Macunaíma, hoje estou mais relaxado. Creio que me procuram muito para tipos que em alguma coisa se parecem comigo, que tenham essa minha cordialidade. Há aspectos, físicos até, que condicionam os papéis. O ator não faz o que quer.

A conversa, que seria profissional, começou prosaica. O ator estava casado. Havia saído na noite anterior para assistir à estréia da peça da filha, Bel Kutner. Chegou tarde e acordou cedo para cuidar dos três gatos, que precisavam ser vacinados. O veterinário vinha em casa. Um deles, porém, espero que só ele, conseguiu escapar da injeção. Paulo José está sentado à soleira de sua biblioteca e começa a contar a história da casa em que vive há 10 anos. Foi comprada de um engenheiro que faliu e não teve dinheiro para reformar.  O homem foi trancando e isolando os cômodos a medida que eles se deterioravam. Por fim, estava às voltas com seus livros confinado em um único cômodo.  A história lembra a Paulo José um texto de Jorge Luis Borges. Ai, ai.

O ator está em “A festa da menina morta”, primeiro longa de Matheus Naschtergaele; em “Juventude”, de Domingos Oliveira, está rodando o primeiro longa de Felipe Hirsh, “Ensolação”, vai fazer Quincas Berro Dágua no novo longa de Sérgio Machado e ainda viverá o profeta Gentileza na próxima novela das oito da Globo. Falou de tudo isso.

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Polícia x polícia em SP

São 18h de uma quinta-feira quente no Rio e estou no trabalho assistindo, já faz horas, o conflito entre a Polícia Civil e a Militar em São Paulo. O conflito está sendo transmitido ao vivo pela Band e pela Record, mas eu prefiro acompanhar pela Band pois o Datena dá um ar cinematográfico ao confronto, que já deixou dezenas de feridos. A Globo, por enquanto, transmite Malhação impunemente.  O governador Serra já deu entrevista e a única coisa que soube dizer é que a greve da Civil, que motiva  o tiroteio entre policiais, a PM reprimindo a Civil, é que a ação é orquestrada por razões políticas dado o ano eleitoral! Nunca vi sair tão mal pela tangente.

Um amigo jornalista de política me explica o conflito, porque estou influenciada pela narração emotiva do Datena e não conheço as alianças partidárias de São paulo, pois tenho coisa mais interessante pra fazer na vida. Diz que a Força Sindical apóia a associação de policiais (cerca de 5 mil marcharam em direção ao palácio do governo), e que esta associação tem um líder que é chegado ao PT, e, por sua vez, a FS está associada ao PDT, oposição ao governo.  Ou seja. Uma confusão política só. Eu acho que nunca poderiam ter barrado a passeata, que era pacífica até às 15h. Ele acha que tem de barrar mesmo, afinal eram 5 mil homens armados.  Os Civis continuaram marchando, a PM jogou bomba de gás. Aí começou a pancadaria e depois o tiroteio. A PM ficou encorralada e a situação demorou horas pra ser acalmada, com os dois grupos separados.  

Não chegamos a um acordo, eu acho que o governo não deveria ter barrado a PM, ele acha que era o melhor a ser feito, afinal poderiam meter uma azeitona na cabeça do Serra. Meu amigo acha que eu o estou provocando. O fato é que duas instituições respeitadas e que atuam diretamente no serviço à população deram o exemplo de tudo o que não se deve fazer hoje.  A falta de respeito de um lado, e a falta de habilidade para negociar de outro ferem a democracia e ainda põem o cidadão como vítima. A praça de guerra parou a cidade e deixou a população sem assistência e , deixa cenário de quebra-quebra, com prejuízo ao patrimônio público e ao bolso do contribuinte.  Como confiar a estas pessoas – que apresentam total despreparo, o combate à violência se, numa situação tensa, eles simplesmente partem pra bala?  

Quanto à transmissão, aqui na redação de jornal onde trabalho muita gente tachou de sensacionalista. Eu não. Acho necessário que a TV mostre um absurdo desses. É para chocar a população mesmo, para ver se essa gente acorda na hora de votar e se aprende a cobrar das autoridades uma explicação convincente para tudo isso.  Como deixaram a situação chegar a este ponto???

Balanço: Entre os feridos, nenhum morto. Um cinegrafista da Record foi atingido, acho que por uma bala de borracha. Até agora ninguém morreu.

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Momento Cinderela…

Algumas pessoas revelam talentos de uma hora para a outra com a ajuda apenas de uma decisão. Este foi o caso de um amigo querido, Gustavo, que resolveu aprender técnicas de maquiagem. Parece que nasceu para isso. Eu não costumava dar valor a isso, mal tinha um estojinho de sombras vagabundo e um rímel preto. O tempo, amigos, é cruel. Tive de admitir que nada com um blush rosado para levantar a aparência de qualquer gata borralheira, nos dias de pior cansaço. Em datas especiais, resolvi brincar de boneca comigo mesma, coisa que nunca fiz até os 25 anos – me garantia na pseudo-beleza-natural cara limpa e cabelo molhado – e passei da por uma cor no rosto antes de uma festa. É uma maneira divertida de recriar a própria imagem.

O cara é bom, mesmo, cobra mega barato. Se alguém quiser o contato me deixa um recado que eu passo por email…

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Ainda o Gabeira

A adesão carioca à campanha do Gabeira parece que virou uma questão de honra ao carioca-zona-sul. Presenciei uma cena que merece registro.

Ontem, sábado, dia 11/10, durante sessão do stand-up comedy “Comédia em Pé”, a platéia deixou o convidado Rafinha Bastos (sim, o mesmo da página do Rafinha e do CQC, da Band) no vácuo. O gaúcho com pinta de paulista resolveu fazer piada logo com quem? com o Gabeira. Pra quê…Não lembro exatamente a piada, mas era algo que faria pelo menos 70% das pessoas (Deus, como as pessoas riem de bobagens…) que estavam ali gargalharem. Se o personagem fosse outro.  Ninguém riu. Coincientemente. As pessoas escolheram não rir, demonstrando, assim, claro apoio ao candidato do Partido Verde. O teatro era um daqueles caríssimos no shopping da Gávea), que realmente está fazendo algo para que ele tenha chances reais de ser eleito.

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Ainda o aniversário…Será comemorado, finalmente, com meus amigos amanhã. Meu hit máximo, em festas, tem sido Rehab, cuja letra segue abaixo. Adoro dançar. Na foto, uma Amy Winehouse ainda sem as marcas da autodestruição. Prefiro ela assim.

Rehab

They tried to make me go to rehab
But I said ‘no, no, no’
Yes, I’ve been black, but when I come back
You’ll know-know-know
I ain’t got the time
And if my daddy thinks I’m fine
He’s tried to make me go to rehab
But I won’t go-go-go

I’d rather be at home with Ray
I ain’t got seventy days
‘Cause there’s nothing
There’s nothing you can teach me
That I can’t learn from Mr. Hathaway

I didn’t get a lot in class
But I know it don’t come in a shot glass

They tried to make me go to rehab
But I said ‘no, no, no’
Yes, I’ve been black, but when I come back
You’ll know-know-know
I ain’t got the time
And if my daddy thinks I’m fine
He’s tried to make me go to rehab
But I won’t go-go-go

The man said “why do you think you’re here?”
I said “I got no idea.
I’m gonna, I’m gonna lose my baby,
So I always keep a bottle near.”
He said “I just think you’re depressed,
Kiss me here, baby, and go rest.”

They tried to make me go to rehab
But I said ‘no, no, no’
Yes, I’ve been black, but when I come back
You’ll know-know-know

I don’t ever want to drink again
I just, ooh, I just need a friend
I’m not going to spend ten weeks
And have everyone think I’m on the mend

It’s not just my pride
It’s just ‘til these tears have dried

They tried to make me go to rehab
But I said ‘no, no, no’
Yes, I’ve been black, but when I come back
You’ll know-know-know
I ain’t got the time
And if my daddy thinks I’m fine
He’s tried to make me go to rehab
But I won’t go-go-go

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Aniversário eleitoral gratuito

Comecei o dia do meu aniversário trabalhando! A primeira tarefa do dia, pelo menos, foi divertida. Acompanhar um candidato em visita à feijoada da Banda das Piranhas, em Realengo, Zona Oeste do Rio de Janeiro.  E o calor? Eu e o fotógrafo Paulo Nicolella, parceiro na missão, não perdemos tempo.

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Tenho um amigo que anda me chamando de “gatora desenvolvimento sustentável” por causa de algumas, digamos, chatices úteis e responsáveis.  Será que vou me tornar uma eco chata? Falta muito. O fato é que já estou interpelando os amigos. Nunca – mesmo – escovo os dentes com a torneira aberta. Tento sempre tomar banho abrindo e fechando o chuveiro para não deixar a água correndo pelo ralo por no mínimo 10 minutos. Digo que tento pois no frio é difícil. Os banhos longos foram cortados.

Procuro sempre chamar um elevador só. Afinal, ninguém toma dois elevadores ao mesmo tempo e ficar apertando o botão não faz com ele chegue ao andar mais rápido – só gasta energia. Reaproveito todas as sacolas plásticas; no trabalho uso milhares de vezes o mesmo copinho em vez de jogar fora e pegar um novo a cada vez que tomo água.

A postura, às vezes, é de risco. Numa situação específica. Algumas vezes não consigo evitar de interpelar pessoas que jogam lixo no chão. Uma vez quase apanhei. Foi em Juazeiro do Norte, no Ceará. Esperava dentro do ônibus, na rodoviária, a partida rumo ao monte onde está a estátua do Padre Cícero. O coletivo estava bem cheio: romeiros, turistas, camelôs. Uma cidadã bastante “educada” abriu uma sacola de supermercado cheia de tangerinas e começou a comer. Nada demais se a distinta senhora não jogasse, a cada gomo que colocava na boca, as cascas pela janela.  Um rastro de cascas se formou na saída da plataforma. Não hesitei e disse: “Deixa de ser porca, não jogue as cascas pela janela!”.  Ela ficou possessa.

Também xingo motoristas que jogam jornais inteiros pela janela do carro, passageiros que atiram latas de refrigerante vazias fora, bem no meio do trânsito. “Mau educado!!!” ou a variante: “Sua mãe não te deu educação???”. Irritam muito aqueles que não enxergam a discreta lixeira laranja que pode ser encontrada a cada dois postes no Rio. Os fumantes são um capítulo à parte. Será que eles acham que as guimbas não poluem? Todos os meus amigos fumantes ouvem uma chamadinha quando soltam, descaradamente, a ponta no chão e dão aquela pisadinha em cima.

Será que estou exagerando?

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